Imagine que um profissional de alta performance procure seu gestor e faça uma pergunta simples: “Qual pode ser o meu próximo passo aqui dentro?”
Essa pergunta parece fácil, mas pode revelar muito sobre a maturidade da empresa em gestão de pessoas.
Uma liderança pode responder indicando uma futura promoção, uma vaga que ainda não existe ou um novo projeto. Todas essas possibilidades podem fazer sentido. O problema está em partir diretamente para o cargo, sem antes entender o que aquele profissional realmente busca.
Talvez ele queira liderar pessoas. Talvez queira se especializar. Talvez queira conhecer outra área. Talvez queira assumir projetos mais complexos, desenvolver uma nova competência ou simplesmente deixar de fazer atividades que já não representam um desafio.
Por isso, desenvolvimento de carreira não deveria começar pela pergunta “qual é o próximo cargo?”, mas por uma questão mais ampla: “qual é a próxima experiência de desenvolvimento que faz sentido para essa pessoa e para o negócio?”
Essa mudança de perspectiva é importante porque a carreira deixou de ser necessariamente uma escada. Em muitas organizações, crescer significa também ampliar repertório, assumir novos desafios, mudar de área, participar de projetos estratégicos, desenvolver novas competências ou construir experiências que preparem o profissional para oportunidades futuras.
O modelo tradicional de carreira está mudando
Durante muito tempo, a ideia de carreira foi representada de maneira bastante linear.
Analista.
Depois, especialista.
Depois, coordenador.
Depois, gerente.
Depois, diretor.
O problema é que nem todo profissional deseja seguir esse caminho — e nem toda organização possui posições suficientes para promover todas as pessoas que apresentam alto potencial.
Se a empresa entende crescimento apenas como promoção vertical, inevitavelmente chegará a um ponto em que a resposta para o colaborador será: “não existe vaga para você agora.”
E isso não significa necessariamente que não existam oportunidades de desenvolvimento.
Pode existir uma nova área para conhecer, um projeto para liderar, uma competência para adquirir, uma posição temporária, uma movimentação lateral ou uma experiência que prepare esse profissional para uma futura posição estratégica.
A carreira pode ser uma escada, mas também pode ser uma rede de possibilidades.
Mobilidade interna não é apenas trocar de cargo
Mobilidade interna é a capacidade de uma organização permitir que seus talentos se movimentem e desenvolvam dentro dela.
Isso pode acontecer de diferentes formas:
- promoção;
- mudança de área;
- movimentação lateral;
- participação em projetos estratégicos;
- job rotation;
- atuação temporária em outra função;
- programas de desenvolvimento;
- mentoria;
- formação de sucessores;
- novos desafios dentro da própria posição.
O ponto central é criar movimento.
Uma pesquisa da LinkedIn Learning mostrou que 55% das organizações consideradas líderes em desenvolvimento de carreira veem a mobilidade interna como uma prioridade maior para o ano seguinte. Entre os demais respondentes, o índice foi de 48%. O estudo também encontrou uma diferença importante na existência de programas estruturados de mobilidade: 44% entre os chamados “career development champions”, contra 24% entre os demais.
Isso demonstra que mobilidade interna começa a ser tratada menos como uma iniciativa isolada de RH e mais como parte da estratégia de desenvolvimento de talentos.
E existe uma razão estratégica para isso
Quando uma empresa perde um profissional de alta performance, não perde apenas uma pessoa.
Pode perder conhecimento acumulado, relacionamento com clientes, domínio de processos, histórico de decisões, experiência técnica e capacidade de execução.
Além disso, existe o custo de substituir esse profissional e o tempo necessário para que uma nova pessoa alcance o mesmo nível de domínio.
Por isso, antes de perguntar “como contratar alguém para essa posição?”, o RH deveria também perguntar:
“Existe alguém dentro da organização que poderia assumir esse desafio com desenvolvimento e preparação?”
Essa pergunta conecta mobilidade interna diretamente ao planejamento de pessoas e à sucessão.
Carreira também é uma estratégia de retenção
Um profissional pode estar satisfeito com salário, benefícios e ambiente de trabalho e, ainda assim, começar a procurar outra empresa se não enxergar futuro onde está.
Essa é uma das razões pelas quais desenvolvimento de carreira aparece com frequência nas discussões sobre retenção.
Uma análise publicada pela SHRM, baseada em dados do Work Institute, apontou que questões relacionadas a caminhos de carreira permaneceram entre os principais motivos associados ao turnover em 2024. A análise também destaca que o modelo tradicional de carreira em “escada” já não representa adequadamente as trajetórias profissionais atuais.
A mensagem para as empresas é clara: reter não significa apenas impedir que alguém saia. Significa criar razões para que essa pessoa queira continuar crescendo ali dentro.
E crescimento não precisa necessariamente significar promoção.
O profissional de alta performance precisa enxergar futuro
Imagine uma profissional que entrega resultados acima da média há três anos.
Ela domina sua função, é referência para colegas e constantemente recebe novas demandas.
Mas, quando pergunta sobre seu futuro, escuta:
“Continue fazendo um bom trabalho que, quando surgir uma oportunidade, conversamos.”
Essa resposta pode parecer inofensiva.
Mas, depois de algum tempo, ela pode transmitir uma mensagem perigosa: “não existe um próximo passo para mim aqui.”
Nesse momento, outra empresa pode oferecer exatamente aquilo que faltava: um novo desafio.
É por isso que conversas de carreira precisam acontecer antes que o profissional esteja com um pé fora da organização.

O primeiro passo é conhecer a pessoa, não a vaga
Uma conversa de carreira eficiente não começa apresentando uma lista de cargos disponíveis.
Começa com perguntas.
O que você gostaria de aprender?
Que tipo de problema gostaria de resolver?
Você se vê liderando pessoas?
Prefere aprofundar sua especialidade ou experimentar uma nova área?
Quais competências gostaria de desenvolver?
Que tipo de projeto desperta seu interesse?
Onde acredita que poderia gerar mais impacto?
Essas perguntas ajudam a descobrir algo que um currículo dificilmente mostra: a direção de desenvolvimento que faz sentido para aquele profissional.
Só depois disso é possível conectar interesses individuais às necessidades do negócio.
O papel do gestor é maior do que indicar uma vaga
Gestores têm papel decisivo nesse processo porque são eles que acompanham o profissional no cotidiano.
São capazes de identificar competências, observar comportamentos, reconhecer potencial e perceber oportunidades de desenvolvimento que talvez não apareçam em uma avaliação formal.
Por outro lado, existe um risco: gestores podem tentar manter bons profissionais exclusivamente dentro de suas próprias equipes.
É o chamado “talent hoarding”: quando a liderança, consciente ou inconscientemente, evita liberar talentos para outras áreas porque teme perder uma pessoa importante.
Essa mentalidade prejudica a empresa.
Um gestor que desenvolve alguém para que essa pessoa possa assumir desafios maiores não está “perdendo” um talento. Está construindo capacidade organizacional.
Desenvolver alguém também significa prepará-lo para sair da sua equipe
Essa pode ser uma das mudanças culturais mais difíceis.
Imagine que uma coordenadora tenha desenvolvido uma analista excelente. Depois de algum tempo, surge uma oportunidade em outra área que seria perfeita para essa profissional.
A coordenadora pode pensar:
“Se ela sair, minha equipe vai perder uma das melhores pessoas.”
Mas existe outra maneira de enxergar a situação:
“Se ela está pronta para um desafio maior, meu papel também foi cumprido.”
Essa mudança transforma desenvolvimento em parte da responsabilidade da liderança.
A empresa deixa de pensar em talentos como propriedade de uma área e passa a enxergá-los como patrimônio da organização.
Nem todo crescimento precisa ser vertical
Uma das maiores limitações dos planos de carreira tradicionais é a associação entre crescimento e hierarquia.
Mas pense em um excelente profissional técnico.
Ele não quer liderar pessoas.
Isso significa que sua carreira deve parar?
Não.
Ele pode se tornar especialista, assumir projetos mais complexos, atuar como referência técnica, participar de decisões estratégicas, desenvolver outras pessoas ou assumir responsabilidades maiores dentro de sua especialidade.
Da mesma forma, alguém que deseja liderança pode precisar de experiências em diferentes áreas antes de assumir uma posição de gestão.
Por isso, uma arquitetura de carreira mais moderna precisa contemplar diferentes formas de crescimento.
A mobilidade lateral pode ser tão estratégica quanto uma promoção
Uma movimentação lateral muitas vezes é interpretada como “não houve crescimento”.
Esse entendimento precisa mudar.
Imagine uma profissional de Recursos Humanos que passa alguns anos em Recrutamento & Seleção e depois assume um projeto de desenvolvimento organizacional.
Ela pode não ter recebido um novo título.
Mas ganhou novas competências, ampliou sua visão do negócio e passou a compreender outra dimensão da gestão de pessoas.
Essa experiência pode ser justamente o que faltava para prepará-la para uma posição de liderança no futuro.
Pesquisas recentes sobre mobilidade interna reforçam essa ideia. Um relatório do LinkedIn Economic Graph publicado em 2025 apontou que movimentos laterais podem ser tão relevantes quanto promoções para retenção em determinados contextos.
Crescimento não é necessariamente subir. Às vezes, é ampliar.
Carreira e sucessão precisam conversar
A mobilidade interna também é uma ferramenta poderosa para sucessão.
Uma empresa não deveria esperar que uma posição de liderança fique disponível para descobrir quem poderia ocupá-la.
O ideal é identificar antecipadamente quais posições são críticas e quais profissionais possuem potencial para assumir responsabilidades maiores.
A partir daí, o RH e os gestores podem construir experiências específicas.
Por exemplo:
Um profissional com potencial para gestão pode começar liderando um projeto.
Depois, pode assumir uma pequena equipe temporariamente.
Em seguida, participar de uma formação de liderança.
Mais adiante, assumir uma responsabilidade maior.
Quando surgir uma posição formal, ele não estará começando do zero.
Estará chegando preparado.
O desenvolvimento precisa estar conectado às competências
É aqui que o Treinamento & Desenvolvimento deixa de ser uma agenda de cursos e passa a ter uma função estratégica.
Se uma pessoa deseja assumir uma posição de liderança, quais competências ela precisa desenvolver?
Comunicação?
Delegação?
Gestão de conflitos?
Tomada de decisão?
Visão estratégica?
Gestão de indicadores?
Se deseja migrar para outra área, quais conhecimentos precisa adquirir?
Um bom plano de desenvolvimento transforma essas lacunas em experiências concretas.
Em vez de simplesmente dizer “faça um curso de liderança”, o RH pode construir uma jornada que combine treinamento, prática, acompanhamento, feedback e exposição a novos desafios.
O PDI precisa sair do papel
O Plano de Desenvolvimento Individual pode ser uma excelente ferramenta para isso.
Mas existe um problema recorrente: o PDI vira um documento preenchido uma vez por ano e esquecido depois.
Um PDI realmente útil precisa responder:
Onde estou hoje?
Onde quero chegar?
Quais competências preciso desenvolver?
Que experiências podem me preparar?
Que apoio preciso da empresa?
Como vamos acompanhar minha evolução?
Qual será o próximo marco?
A carreira deixa de ser uma promessa abstrata e passa a ter um caminho acompanhado.
E se não houver uma vaga disponível?
Essa é uma das perguntas mais importantes.
Se o profissional pergunta sobre crescimento e não existe uma posição aberta, a conversa não precisa terminar.
O RH pode pensar em experiências.
Um projeto transversal.
Uma mentoria.
Um job rotation.
Uma participação em comitê.
Uma responsabilidade adicional.
Uma formação específica.
Uma atuação temporária em outra área.
Uma exposição maior à liderança.
Um projeto de melhoria de processos.
Essas experiências podem construir repertório enquanto a oportunidade formal ainda não existe.
A empresa, portanto, não precisa prometer uma promoção que talvez não possa entregar.
Precisa oferecer clareza sobre o que pode ser desenvolvido agora.
O RH precisa conhecer o talento que já possui
Não existe mobilidade interna sem visibilidade sobre os talentos internos.
É difícil movimentar pessoas que a organização não conhece.
Por isso, empresas que desejam fortalecer essa estratégia precisam desenvolver mecanismos para mapear:
- competências;
- experiências;
- interesses profissionais;
- potencial;
- desempenho;
- aspirações;
- conhecimentos críticos;
- prontidão para novos desafios.
Esse mapeamento permite identificar talentos que talvez estejam escondidos dentro da própria organização.
Uma pessoa pode estar ocupando uma função administrativa, por exemplo, mas possuir experiência anterior em vendas. Outra pode ter forte capacidade analítica e estar interessada em migrar para uma área de planejamento.
Sem visibilidade, essas possibilidades permanecem invisíveis.
Mobilidade interna também pode reduzir a dependência do mercado externo
Isso não significa deixar de contratar externamente.
Existem momentos em que buscar profissionais no mercado é absolutamente necessário.
Mas uma empresa que sempre procura fora antes de olhar para dentro pode estar ignorando uma fonte importante de talentos.
Em 2025, a SHRM registrou crescimento no uso de internal talent marketplaces: 35% das organizações pesquisadas afirmaram utilizar esse tipo de recurso, contra 25% em 2024. A própria organização destaca a mobilidade interna como uma forma de acelerar o preenchimento de posições e fortalecer retenção e desenvolvimento.
Isso representa uma mudança importante de mentalidade:
a primeira pergunta diante de uma vaga não precisa ser “quem podemos contratar?”, mas também “quem já temos e pode ser desenvolvido para isso?”
Como construir uma estratégia de mobilidade interna
Para começar, a empresa não precisa necessariamente criar um programa enorme.
Pode começar com uma estrutura simples.
1. Mapeie posições críticas
Identifique quais funções serão importantes para a continuidade e crescimento do negócio.
2. Conheça os talentos internos
Mapeie competências, desempenho, potencial e interesses profissionais.
3. Torne as oportunidades visíveis
As pessoas precisam saber que podem se candidatar a projetos, vagas e movimentações internas.
4. Crie experiências de desenvolvimento
Nem todo desenvolvimento precisa esperar uma vaga formal.
5. Prepare os gestores
Lideranças precisam aprender a desenvolver pessoas e apoiar movimentos internos.
6. Conecte mobilidade e T&D
O desenvolvimento precisa preparar profissionais para oportunidades reais.
7. Acompanhe indicadores
É possível acompanhar promoção interna, movimentações laterais, retenção de talentos, preenchimento de vagas internas, participação em programas e evolução de competências.
Como saber se a estratégia está funcionando?
O RH pode acompanhar alguns indicadores para entender se a mobilidade interna está realmente gerando resultado.
Entre eles:
- percentual de vagas preenchidas internamente;
- taxa de retenção de profissionais movimentados;
- tempo de preenchimento de vagas internas;
- número de movimentações laterais;
- promoções internas;
- participação em programas de desenvolvimento;
- evolução das competências;
- turnover de profissionais considerados de alto potencial;
- satisfação com oportunidades de carreira.
Mas existe um indicador qualitativo ainda mais importante:
as pessoas sabem como podem crescer dentro da empresa?
Se a resposta for “não”, existe um problema de comunicação e de arquitetura de carreira que precisa ser enfrentado.
O papel da PENSECOM nesse processo
Construir uma estratégia de carreira exige mais do que criar uma tabela com cargos e salários.
É necessário compreender o negócio, mapear competências, identificar potenciais, estruturar desenvolvimento e preparar lideranças para sustentar esse processo.
É justamente nessa conexão entre pessoas e estratégia que o RH ganha relevância.
A PENSECOM atua com Treinamento & Desenvolvimento, Consultoria Estratégica de RH, Recrutamento & Seleção, BPO de RH e Gestão de Clima Organizacional, ajudando empresas a estruturar processos que permitam não apenas contratar bons profissionais, mas também desenvolver e aproveitar melhor os talentos que já fazem parte da organização.
Porque uma empresa pode gastar muito tempo procurando talentos no mercado enquanto deixa grandes possibilidades de crescimento escondidas dentro de casa.
Carreira não deveria depender apenas da existência de uma vaga
Quando um profissional pergunta “qual é o meu próximo passo?”, a empresa não precisa necessariamente ter uma promoção pronta.
Precisa ter capacidade de conversar sobre futuro.
Precisa entender o que aquela pessoa busca, quais competências possui, quais precisa desenvolver e onde seus talentos podem gerar mais impacto.
Talvez o próximo passo seja uma promoção.
Talvez seja uma mudança de área.
Talvez seja um projeto.
Talvez seja uma especialização.
Talvez seja uma experiência que ainda nem possui nome dentro da empresa.
O mais importante é que exista movimento.
Porque profissionais não permanecem necessariamente onde existe uma promessa de cargo. Eles tendem a encontrar mais motivos para permanecer quando conseguem enxergar possibilidades reais de crescimento, aprendizado e contribuição.
E é aí que a mobilidade interna deixa de ser apenas uma prática de RH.
Ela passa a ser uma estratégia para reter talentos, desenvolver competências, preparar sucessores e construir o futuro da própria organização.
Sua empresa sabe para onde seus talentos podem crescer?
Na PENSECOM, acreditamos que desenvolver pessoas é também preparar o negócio para o futuro. Por meio de RH estratégico, Treinamento & Desenvolvimento, desenvolvimento de lideranças, Recrutamento & Seleção, Gestão de Clima e BPO de RH, ajudamos empresas a conectar o potencial das pessoas às necessidades reais da organização.
Antes de procurar o próximo talento no mercado, talvez seja hora de olhar para quem já está construindo o seu negócio por dentro.
Conheça a PENSECOM e descubra como transformar desenvolvimento de pessoas em estratégia de crescimento e retenção.






